sexta-feira, 7 de março de 2014

“TER FILHO GAY É FALTA DE PORRADA”, DIZ BOLSONARO.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) reverbera na mídia um discurso presente em nossa cândida sociedade de que ter filho gay é consequência de falta de porrada durante a infância. Pois bem,quarta-feira 17 de fevereiro, veio à baila a crueldade cometida por um pai que seguiu este ensinamento. Alex Moraes Soeiro, 34 anos, morador da comunidade de Villa Kennedy, zona oeste do Rio, jogou toda sua força contra o filho de oito anos, espancando-o até a morte. Motivo: o garoto gostava de lavar louça e não queria cortar o cabelo.
O preso disse que espancava o menino para “ensiná-lo a virar homem”, porque, segundo o pai, o garoto gostava de dança do ventre, tinha o hábito de vestir as roupas das irmãs e gostava de lavar louça. Levado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da região, o menino faleceu horas depois após sofrer hemorragia interna em razão do espancamento.
De acordo com a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, a grande maioria das denúncias de homofobia recebidas pelo Disque 100 (em 2011 foram quase 7 mil) são de violências sofrida por gays dentro de casa, 42%.
Casos de barbárie como o ocorrido em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Um pecuarista espancou o próprio filho homossexual em julho do ano passado. O rapaz de 16 anos ainda foi ameaçado pelo pai de ser arrastado pelas ruas da cidade. O jovem chegou a ter as pernas amarradas a uma caminhonete. O produtor rural, que não teve o nome revelado, foi indiciado por injúria e tortura.
Tem um pensamento repetido por homossexuais que resume bem o desamparo de crianças e adolescentes LGBTs. Uma criança negra que sofre racismo na escola, volta para casa e encontra o abraço da mãe, mas uma criança gay que sofre homofobia na escola, volta para casa e está sozinha.
Para muitos, o nível de violência homofóbica chega ao nível do insuportável . Uma pesquisa divulgada na publicação científica Pediatrics mostra que crianças LGBTs rejeitadas pelos pais correm seis vezes mais riscos de sofrer com altos níveis de depressão e tentam o suicídio oito vezes mais na comparação com heterossexuais de mesma faixa etária. Para citar apenas um episódio, tratamos recentemente do caso do menino de 11 anos que tentou se suicidar após sofrer bullying homofóbico.

Bolsonaro virou uma caricatura de si mesmo. Suas aparições em programas de televisão popularescos como Superpop e etc são usadas apenas para levar humor ao telespectador no final da noite.
Mas ainda tem muita gente que o leva a ferro e fogo. Muita mesmo. Em 2010, foi eleito com 120 mil votos. Provavelmente sua votação deve ser ainda mais expressiva na próxima eleição, pela mídia que conseguiu nos últimos quatro anos ir ao encontro do pensamento de gente reacionária.
E o deputado vai dizer o quê? Que não estava falando em morte quando se referia a “levar um couro”? Que esse pai provavelmente não tinha a intenção de matar o filho. Mas, e agora? Alguém vai devolver a vida a esse garoto?
Jair Bolsonaro vai poder abraçar os seus filhos, os mesmos que repetem o seu discurso de ódio a gays quando voltar para casa. Porém, esse garoto não tem mais o direito ao abraço de ninguém.
Até quando continuaremos produzindo novos “Alex” e novos filhos mortos por seus pais? Até quando pais vão continuar mais se importando se o filho ou a filha brinca de carrinho ou de boneca do que com amor e respeito? Os pais precisam perceber a desgraça que promovem na cabeça das crianças quando tentam impor a orientação sexual ou identidade de gênero, que, comprovada cientificamente por centenas de estudos, é algo com base genética. Os dados sobre depressão e suicídio são claros. O seu filho não vai deixar de ser homossexual, bissexual ou transexual porque você quer. Não vai e não adianta torturá-los.
Até quando o poder público vai continuar assistindo de braços cruzados a violência homofóbica cotidiana em nosso país. Lamentar morte depois do ocorrido é muito pouco diante de tanto sofrimento.

A homofobia mata e precisa ser tratada com políticas públicas que promovam o esclarecimento à população desde nossas crianças até a vida adulta.
Texto publicado em pragmatismo politico.com.br

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