sexta-feira, 17 de abril de 2015

ÁLBUM DE CASAMENTO HOMOAFETIVO É ELEITO O MELHOR DO ANO EM PRÊMIO DE FOTOGRAFIA.

Por Vladimir Libério
Entre 450 trabalhos inscritos o álbum do casamento de Thomas e Juca foi o único a retratar uma união homoafetiva, rendeu ao fotógrafo Rafael Karelisky o 1º lugar no 'Wedding Best' premiação dada na feira Fotografar 2015, em São Paulo.

 "O mundo tem muito mais a vencer com esse álbum, a partir do momento em que todo mundo passar a ver isso como uma coisa normal. É só uma grande história de amor. Poucos casais héteros têm o lance de pele que eles têm. E o fato de serem dois homens não foi fundamental, tanto que no ano passado era um casal hétero", declarou Rafael.

Confira algumas das imagens do casal:


quinta-feira, 16 de abril de 2015

REVISTA FORUM REVELA ÁUDIOS QUE LEVANTAM NOVAS SUSPEITAS SOBRE CASO VERÔNICA BOLINA

Por Vladimir Libério
Com a repercursão que o caso da travesti Verônica Bolina tomou na internet com a divulgação das fotos da modelo desfigurada pela policil após brigar com uma visinha e lesionar um carcereiro, a coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, Heloísa Alves saiu em defesa do governo do Estado de São Paulo, inclusive divulgado audios para justificar o tratamento recebido pela travesti, mas segundo a metéria que você confere agora os aúdios só aumentão as suspeitas:

O caso das agressões sofridas pela modelo Verônica Bolina no Distrito Policial do Bom Retiro, em São Paulo, vêm provocando mais revolta à medida em que emergem novas informações. Ela foi detida após se envolver em uma briga com uma vizinha no último domingo (12) e apareceu nas manchetes por ter arrancado parte da orelha de um carcereiro com uma mordida.

Em áudio divulgado pela coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, Heloísa Alves, é possível ouvir uma voz, que seria de Verônica Bolina, afirmando que não foi torturada. “Eu agredi e fui agredida. Eles tiveram que usar as leis deles para me conter, então não teve, de nenhuma forma, tortura”, afirma.

No entanto, na tarde da última quarta-feira (15), mais áudios foram descobertos. Em uma das gravações, Heloísa Alves anuncia que Verônica não quer ser usada para fins políticos e que os áudios precisam ser divulgados o mais rápido possível com uma nota do Conselho Estadual LGBT, pois haveria na internet uma campanha afirmando que a modelo foi “torturada nos porões do governo Gerado Alckmin”. Alves explica que não fala isso pensando no governo, mas sim na própria Verônica, que teria afirmado que “não quer ser usada como vítima de governo nenhum”. Em outras gravações, a coordenadora diz, incomodada, que Verônica não foi coagida a dar qualquer declaração. 

No áudio seguinte, Verônica reforça mais uma vez que não foi torturada, afirmando que não deseja ser usada para fins políticos e que só quer sua vida de volta. Nessa gravação, é possível ouvir uma voz feminina aparentemente ditando a fala de Verônica, como se estivesse a lembrando de um roteiro. Para justificar a existência de outra voz feminina ao fundo, Verônica explica, em uma terceira gravação, que havia pedido auxílio a Heloísa Alves durante sua fala, pois estaria muito cansada e não sabia pronunciar a palavra “tortura”.   Apesar da situação, somada ao fato da modelo ter sido exposta em fotos – onde aparece irreconhecível, com o rosto gravemente desfigurado, cabelo raspado e seios à mostra -, a coordenadora Heloísa Alves afirma que não houve nenhuma irregularidade no tratamento dado a Verônica e pede que a “verdade seja restaurada”.


O advogado criminalista Pedro Munhoz, no entanto, afirma o contrário.  “A possibilidade de abuso de poder e tortura não pode ser definitivamente afastada com base em um áudio. A reação da polícia precisa ser moderada e pontual. Os ferimentos no rosto de Verônica não parecem ser resultado disso. Ela deveria ser submetida a perícia”, defende.
Munhoz explica que as agressões contra a modelo, a raspagem do seu cabelo e sua nudez forçada configuram violações de direitos constitucionais e violam regras e orientações objetivas do sistema prisional do estado de São Paulo, uma vez que a resolução SAP 11, DE 30/01/2014, estabelece que travestis e mulheres transexuais têm o direito de manter o cabelo à altura dos ombros e a trajar roupas íntimas femininas, por respeito a sua identidade de gênero e ao princípio da dignidade. “O direito constitucional à própria imagem e à dignidade, é bom lembrar, abarca a todos os cidadãos brasileiros, presos ou não. A maneira degradante como ela foi exposta constitui clara violação”, pontua.
Munhoz também questiona a postura da coordenadora Heloísa Alves. “No caso concreto, em muito me estranha a postura de tentar dar por encerrado um caso em que, claramente, ainda há muito a investigar”, salienta. “Não sei, no entanto, em que condições se deu a gravação do áudio ou se a própria Verônica, por algum motivo, tenha pedido a Heloísa Alves que agisse dessa forma. É preciso ter cautela, a vida de Verônica pode estar em risco. Em última análise, não caberia a ela, mas à Justiça afirmar se houve ou não abuso”, conclui.
À Fórum, o oficial Rafael Moura, do Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, declarou que a Defensoria ainda não estava acompanhando o caso, mas que tomará providências para averiguação assim que dispuserem de mais informações, quando poderão também oferecer assistência a Verônica Bolina.
A Ouvidoria da Polícia de São Paulo também foi procurada por Fórum, mas disse desconhecer o caso. Em ligação retornada uma hora depois, a assessoria da Ouvidoria comunicou que havia gerado um protocolo e enviado ofícios ao Ministério Público e à Corregedoria, para que sejam tomadas providências e o caso de Verônica possa ser acompanhado.
Procurada por Fórum, a coordenadora Heloísa não atendeu às chamadas e a assessoria da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo afirmou que apenas a coordenadora poderia se pronunciar sobre o caso.
É importante lembrar que, independentemente do desfecho, o episódio envolvendo Verônica Bolina não é um acontecimento isolado. “O caso é um resumo de como, ao mesmo tempo, os presos, as pessoas negras e transexuais são tratadas no Brasil. Infelizmente, não é um caso especial, ou incomum. É parte do nosso cotidiano”, diz Pedro Munhoz.
Nas redes sociais, diversas campanhas em defesa da modelo vêm sendo compartilhadas com a hashtag #SomosTodasVerônica.
Matéria publicada originalmente na Revista Forum.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

DCE UNIFOR PROMOVE NESTA QUARTA 15 E QUINTA 16 O SIMPÓSIO LGBT UNIFOR VALE CONFERIR.

Por Vladimir Libério
Diretório Central dos Estudantes – DCE UNIFOR, gestão PODEMOS MAIS, promove hoje e amnhã o Primeiro Simpósio LGBT da UNIFOR: Uma Universidade para a Diversidade na Universidade de Fortaleza – UNIFOR. 
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas durante o dia do evento. 
O evento tem como proposta realizar diversas discussões acerca do tema para a construção de uma Universidade de fato para a diversidade. O evento contará com atividades culturais, cine debate, palestras, mesas redondas e dentre outras atividades.
"Este evento é de extrema importância por conta do atual contexto de discussão sobre direitos sexuais e de gênero na nossa cidade, como também na nossa Universidade." Declarou Rafael Magalhães presidente do DCE UNIFOR.
Confira a programação e não deixe de participar:

sexta-feira, 10 de abril de 2015

OBAMA SE MANIFESTA A FAVOR DE BANIR "CURA GAY" DOS ESTADOS UNIDOS APÓS PETIÇÃO MOTIVADA POR SUICÍDIO DE JOVEM TRANSGÊNERO

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou publicamente terapias psiquiátricas criadas para "curar" jovens gays, lésbicas e transgêneros.
A declaração de Obama foi uma resposta a uma petição on-line que pede a proibição destas chamadas terapias de conversão. Em apenas três meses o abaixo-assinado conseguiu 120 mil assinaturas.
A mobilização foi inspirada pelo caso de Leelah Alcorn, uma adolescente transgênero de 17 anos que cometeu suicídio em dezembro.
Em uma carta postada no Tumblr, Alcorn, nascido homem, afirmou que se matou depois de anos de dificuldades com os pais, cristãos rigorosos que se recusavam a aceitar a identidade que ela acreditava ter, feminina.
"A única forma de descansar em paz é se, um dia, pessoas transgênero não forem tratadas como eu fui... Minha morte precisa significar algo. Consertem a sociedade. Por favor", escreveu a jovem.
Em resposta à petição, Valerie Jarrett, assessora de Obama, escreveu: "Compartilhamos nossa preocupação a respeito dos efeitos potencialmente devastadores nas vidas de jovens transgêneros e também de gays, lésbicas, bissexuais e homossexuais".

"Como parte da dedicação à proteção da juventude dos Estados Unidos, este governo apoia os esforços para proibir o uso da terapia de conversão para menores", acrescentou.

'Peso da Casa Branca'

Com a declaração, a Casa Branca não está pedindo de forma explícita que o Congresso americano aprove uma legislação proibindo estas terapias em todo o país. Mas Mara Keisling, diretora-executiva do Centro Nacional para a Igualdade de Transgêneros, elogiou o comunicado.
"Ter o presidente Obama e o peso da Casa Branca por trás dos esforços para proibir a terapia de conversão é crucial na luta pelos jovens transgêneros e LGBT", afirmou.
A terapia de conversão conta com forte apoio de grupos conservadores e religiosos nos Estados Unidos. Aconselhamento e orações são usados frequentemente nestas terapias para ajudar cristãos a lidarem com seus desejos, quando eles procuram este tipo de tratamento.
David Pickup, terapeuta especializado em terapia de conversão, que trabalha nos Estados da Califórnia e Texas, disseao jornal New York Times que menores não deveriam ser forçados à terapia mas que o desejo homossexual muitas vezes está ligado a algum sério trauma emocional ou abuso sexual.
"Acreditamos que a mudança ainda é possível", disse ele. "As pessoas vão à terapia pois elas podem mudar, porque realmente funciona. Ajudamos as pessoas a se tornarem, realmente, elas mesmas".
Mas, grupos de ativistas que defendem os direitos de homossexuais e LGBT e também grupos de profissionais de saúde afirmam que estas terapias de conversão podem aumentar o risco de depressão ou suicídio.
Os Estados da Califórnia e Nova Jersey já proibiram esta prática. Estados mais conservadores, entretanto, como Oklahoma, analisam legislações para proteger essas terapias de possíveis vetos ou proibições federais.
Fonte:BBC

terça-feira, 7 de abril de 2015

SEXTA DE TODAS AS CORES PROMOVE A ARTE CONTRA A HOMOFOBIA

Neste dia 10 de abril, acontece no Parque das Crianças no centro de Fortaleza, mais uma edição do projeto SEXTA DE TODAS AS CORES, promovido pela Coordenadoria de Diversidade Sexual da Prefeitura de Fortaleza.

O evento tem como objetivo visibilizar a arte transformista LGBT de Fortaleza e combater a homofobia através da cultura.

Na ocasião acontecerá a Feirinha Empreendedora LGBT em parceria com o GRAB(Grupo de Resistência Asa Branca) com a comercialização de produtos diversos e prestação de serviços.

Durante a SEXTA DE TODAS AS CORES o projeto Fique Sabendo Jovem, promoverá testagem rápida de HIV.

SHOWS.

No palco do anfiteatro terá música ao vivo com a cantora Paula Paixão, apresentação de dança com aos grupos Blackout e Divas.

A noite ainda terá shows das divas Lorrana Layser e Camilly Leycker que apresentarão shows especiais.

domingo, 5 de abril de 2015

VALE CONFERIR! HOMOFOBIA SERÁ O TEMA DO 'CONEXÃO REPÓRTER' NESTE DOMINGO

A intolerância aos LGBT será tema da edição deste domingo, 05, do “Conexão Repórter”, do SBT.
O repórter especial Roberto Cabrini investiga os grupos radicais que pregam a violência, o ódio e a intolerância aos homossexuais.
Diz o material de divulgação do programa: “Câmeras escondidas mostram como o preconceito aos gays resiste na sociedade brasileira. Como você reagiria se seu filho fosse homossexual?”
“O conflito de ideias entre os deputados Jean Wyllys, o maior defensor dos direitos dos gays no Congresso, e Jair Bolsonaro, que diz que ter filho gay é falta de porrada.”
A atração vai ao ar logo após o “Programa Silvio Santos”, por volta de 0h.
Com informações:Parou tudo

segunda-feira, 30 de março de 2015

INVASÃO ZUMBI NO METROFOR ASSUSTA E É SUCESSO DE AUDIÊNCIA

Silvio Santos voltou a lançar mais uma pegadinha assustadora após a menina fantasma no elevador, de Chucky na Avenida Paulista e da boneca Annabelle ganhando vida.
Exibida neste domingo (29) no Programa do Silvio Santos, a esquete mostrou zumbis invadindo o METROFOR em Fortaleza. No vídeo, o metrô pára em uma estação e, após uma voz anunciar aos passageiros sobre problemas técnicos, o vagão é infestado de mortos-vivos bem maquiados, com as câmeras escondidas mostrando as reações de pânico das pessoas.
Umas das “vitimas” chega a desmaiar.
Para as gravações da pegadinha, foram usados 70 figurantes, que ficaram quase 10 horas sendo caracterizados como zumbis.
Com informações:CinePop

Assista ao divertido vídeo:

quinta-feira, 26 de março de 2015

“NA LATA!” REPÓRTER DÁ BRONCA AO VIVO EM TORCEDOR POR TERMO HOMOFÓBICO

A repórter Gabriela Moreira, da ESPN, deu um show de cidadania e uma bronca ao vivo em um torcedor do Palmeiras que utilizou o termo "bicha" para se referir ao rival São Paulo. Ao ser perguntado pela jornalista sobre a expectativa em relação à partida, o jovem disse.
“Boa noite, meu nome é Felipe. A expectativa é a gente ganhar dos bichas hoje, 2 a 1 para o Palmeiras”, afirmou.
A repórter deu a bronca. “Rapaz, vou te falar uma coisa, não sei se vai ganhar… Mas com esse bicha? Não à homofobia, né? Você tem quantos anos, 25? Por favor, vamos tentar modernizar um pouquinho este pensamento”, disse.
O jovem ficou visivelmente constrangido com a reclamação da repórter. Ao final da entrada ao vivo, Gabriela  retornou ao assunto. “Rapaz de 25 anos, já pedi para que abra essa cabeça, não à homofobia, vou reforçar aqui”, concluiu.
Nas redes sociais, alguns torcedores aplaudiram a decisão da repórter. "Um palmeirense ficou com cara de lixo agora, AO VIVO, na ESPN. Meteu um 'vamos ganhar dos bichas' e levou invertida da repórter. Bem feito", escreveu um seguidor.
Fonte:Correio da Bahia

sábado, 21 de março de 2015

NÃO SE CALE! SAIBA COMO DENUNCIAR CRIMES DE HOMOFOBIA

Funcionando em todo o território nacional, o Disque Direitos Humanos – Disque 100 é um serviço de atendimento telefônico gratuito, que funciona 24 horas por dia, 7 dias da semana.
O serviço telefônico recebe denúncias anônimas relativas às violações de direitos humanos, em especial as que atingem populações vulneráveis, como a comunidade LGBT, mas também crianças e adolescentes, idosos, deficientes físicos e moradores de rua.
Para fazer uma queixa ao Disque 100, algumas informações são importantes. Além do nome da vítima e seu endereço, é preciso informar o tipo violência (física ou psicológica), quem a praticou e também informações sobre atual situação do (a) agredido  (a) e se algum órgão foi acionado.
Como ainda não há uma legislação que puna especificamente a homofobia no Brasil, as denúncias no Disque 100 tornam-se fundamentais para mostrar aos nossos legisladores a importância de uma lei neste sentido. O dados do serviço telefônico municiam o Estado em suas políticas públicas de atenção a população LGBT.
NA INTERNET
Em caso de crimes de ódio via web, a Polícia Federal disponibiliza um site para denúncias. O site Direito Homoafetivo relaciona advogados em todo o País especializados em questões da comunidade LGBT.
Já a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais relaciona ONGs e projetos de apoio por todo Brasil em seu site. 

Polícia Federal: denuncia.pf.gov.br
Direito Homoafetivo: www.direitohomoafetivo.com.br
ABGLT: www.abglt.org.br
Da Redação Onix Dance com IG

sexta-feira, 20 de março de 2015

TRAVESTI BIANCA ARAUJO FOI ASSASSINADA A TIROS NA TARDE DESTA SEXTA-FEIRA 20 PRÓXIMO A ARENA CASTELÃO

Por Vladimir Libério
Por volta das 14:30 desta sexta-feira 20 de março, a travesti Bianca Araujo foi executada a tiros na Av Pres Juscelino Kubitschek próximo ao cemitério Parque da Paz.

Segundo amigas que entraram em contato com nossa redação Bianca estava ao lado de outras travestis quando um gol branco ocupado por dois homens parou e efetuou os disparos que atingiram a mesma.

Segundo nota postada na página Policia 24 horas até agora não há maiores informações sobre os suspeitos e a motivação do crime.

Mais uma vez esperamos que este crime não fique impune como tantos outros e que Bianca não seja apenas mais uma nesta triste estatística.


VIOLÊNCIA E EXCLUSÃO CAUSAM MORTE PRECOCE DE TRAVESTIS

 Anyky foi expulsa de casa aos 12 anos e acredita estar viva por ter entrado para a militância
Elas se consideram à margem de tudo, até dos que já são marginalizados pela sociedade. A violência vem de todos os lados, seja psicológica, social ou física. E, assim, nesse cenário caótico, envelhecer se torna um desafio. As travestis são vistas quase sempre como um símbolo do sexo, e a perda do vigor da juventude se torna um tabu. Em contraponto ao medo da velhice, para a maioria delas, a saída de casa já vem com uma premissa: o envelhecimento começa no momento em que colocam os pés na rua. A presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual (Cellos), Anyky Lima, 59, afirma que, devido a toda a violência a que são sujeitas ao longo da vida, a maioria das travestis não chega aos 50 anos.

Os motivos são inúmeros, passando pelas modificações no corpo, uso de drogas e doenças sexualmente transmissíveis, a violência das ruas e entre elas mesmas e, finalmente, o preconceito. “Em nossas pesquisas, observamos que 98% das travestis entrevistadas já sofreram violência física – com uso de armas ou agressão corporal. A trajetória da violência começa com a família e segue por uma série de outras coisas ao longo dos anos. É possível inferir que a vida delas é, de fato, menor do que a de outros grupos”, explica o psicólogo e coordenador do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT (NUH), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marco Aurélio Prado.
Para Prado, a expulsão e a saída de casa estão diretamente relacionadas à entrada na prostituição. “Seja por necessidade ou trabalho, são vidas mais vulneráveis. Além disso, é um grupo populacional que tem menos políticas de promoção de direitos”, revela. O especialista ainda acredita que a baixa escolaridade e o afastamento do trabalho formal também são fatores que, com a violência, medem a vulnerabilidade do grupo.
RelatosAnyky Lima foi expulsa de casa aos 12 anos, e foi aí que a transformação começou. Foi batizada pelas amigas na rua e, como única saída para sobreviver, se prostituiu. Ela é uma das poucas que resistiram à pressão de toda a violência a que são expostas.
“Paguei o meu INSS, tenho uma aposentadoria e vivo como posso. Hoje, a sociedade me engole. Mas isso porque eu fui para a militância. Normalmente, não há lugar para as trans velhas. Elas não são respeitadas no bairro, no hospital, e a maioria não tem família. É tudo muito difícil”, conta.
Sissy Lopes já esteve à beira da morte várias vezes, até que resolveu mudar de vida
Outra travesti, Sissy Kelly Lopes, 59, hoje mora em uma casa de apoio para pessoas com o vírus HIV e também milita pela causa. Ela é soropositivo, foi dependente química e concorda com Anyky sobre o fato de que poucas delas chegam à terceira idade. Ela conta que já ganhou muito dinheiro e já morou fora do país, mas tudo isso vai e vem.
“Já sobrevivi a muitas coisas. Mesmo com a Aids, já estive muito mais perto da morte. Passei situações de muita violência e já tive uma overdose de heroína. Foi nesse momento que aceitei a minha doença e decidi me cuidar. Mas não são todas que conseguem tomar essa decisão”, afirma.
Denúncias
Idade
.De acordo com dados levantados pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 70% das denúncias de violência recebidas pelo Disque-Direitos Humanos no Estado de Minas Gerais envolvem pessoas que têm entre 18 e 35 anos.

Perfil. Exceto as denúncias em que não se informa orientação sexual, as travestis são as que mais utilizam o serviço Disque-Direitos Humanos.
Argentina
Na Argentina, parlamentares querem instituir bolsa mensal para travestis, transexuais e transgêneros com mais de 40 anos que morem em Buenos Aires – uma espécie de aposentadoria precoce. O benefício proposto é de 8.000 pesos, cerca de R$ 2,4 mil. A maior parte das travestis no país trabalha em atividade sexual – mais vulnerável à violência e a traficantes.
BÁRBARA FERREIRA PARA PORTAL O TEMPO

TERROR! UM ASSASSINATO A CADA 27 HORAS POR HOMOFOBIA É REGISTRADO NO PAÍS

Dados divulgados pelo Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais no Brasil apontaram que apenas no ano de 2014 cerca de 326 pessoas morreram no país em razão da homofobia. O número significa um assassinato a casa 27 horas. O relatório foi divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB).
De acordo com o grupo, o levantamento é feito com base em notícias veiculadas na imprensa. Ainda segundo o documento, o número de casos cresceu em 4,1% em comparação a 2013. 
Em entrevista ao portal R7, o antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB e coordenador da pesquisa, estimou que todos os dias, no mínimo, um homicídio com motivação homofóbica ocorra no País, o que coloca o Brasil no topo do ranking. “Hoje, 50% dos assassinatos de pessoas trans no mundo acontecem no Brasil”, disse.
Mott afirma que os crimes contra os LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) são marcados pela imprevisibilidade. “A falta de um padrão sistemático, regular da intolerância e da violência é um problema. A única tendência fixa é que sempre são mais gays [vítimas]. Em segundo lugar, as travestis e, em terceiro, as lésbicas”.
O antropólogo também enfatizou que, em termos relativos, travestis e transgêneros estão mais expostos, uma vez que essa população não chega a 1 milhão no País, enquanto a de gays está na casa dos 20 milhões, conforme organizações que atuam junto a esses segmentos. Uma das explicações para essa vulnerabilidade estaria no estilo de vida marginalizado. “Ninguém quer empregar uma travesti. Na escola, elas são humilhadas, expulsas e a prostituição se torna meio de sobrevivência”.
Dos 326 mortos registrados no levantamento de 2014, 163 eram gays, 134 travestis, 14 lésbicas.
Disque 100
Dados do Disque 100, serviço mantido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), apontam que das denúncias de violência homofóbica recebidas no ano de 2014, em 67,10% as vítimas eram homens; 19,45%, mulheres e, em 13,45% dos registros, o sexo não foi informado.
Conforme as estatísticas do serviço, os alvos mais recorrentes são gays (20,05%), travestis (11,57%), lésbicas (9,51%) e transexuais (8,31%). A faixa etária mais vulnerável é a de 18 a 24 anos, que corresponde a 31,71% das vítimas, segundo a SDH/PR.
Com informações do portal R7.

segunda-feira, 16 de março de 2015

LEVY FIDELIX É CONDENADO A PAGAR R$ 1 MILHÃO POR DECLARAÇÕES HOMOFÓBICAS

Decisão da 18ª Vara Cível paulista julgou procedente a punição ao político e ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) em razão de manifestações homofóbicas proferidas durante debate entre os candidatos à presidência da República; pagamento será revertido em ações de promoção da igualdade da população LGBT

Sentença da juíza Flavia Poayres Miranda, da 18ª Vara Cível paulista, condenou o ex-candidato à presidência da República Levy Fidelix a pagar uma indenização de R$ 1 milhão em razão de manifestações homofóbicas proferidas durante debate entre os candidatos à presidência da República, realizado pela TV Record, em 28 de setembro do ano passado. Ainda cabe recurso à decisão.
A Defensoria Pública de São Paulo ingressou em outubro de 2014 com uma ação civil pública por danos morais contra Fidelix e seu partido, o PRTB e, na última sexta-feira (13), foi publicada a decisão. A quantia relativa à indenização deve ser destinada para o Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT para ações de promoção de igualdade.
A ação também solicita que o ex-candidato e seu partido arquem com os custos da produção de um programa que promova os direitos da população LGBT, com a mesma duração de sua fala e na mesma faixa de horário da programação. Além disso, fixa multa diária no valor de 500 mil reais por cada dia de descumprimento da ordem judicial.

Durante o debate na TV Record, em resposta ao questionamento de Luciana Genro (PSOL) sobre casamento homoafetivo, Fidelix afirmou que “dois iguais não fazem filho, e aparelho excretor não reproduz”. Ele também associou a homossexualidade à pedofilia e afirmou que gays precisavam de atendimento psicológico “bem longe daqui”.
Confira aqui a íntegra da decisão.
Fonte:Forum

sábado, 14 de março de 2015

100 MIL PESSOAS EM SÃO PAULO CONTRA O IMPEACHMENT

Cerca de 100 mil pessoas – de acordo com os organizadores da manifestação – tomaram as ruas da capital para pedir a reforma política, protestar contra os ajustes fiscais e defender a Petrobras e a democracia diante do acirramento dos movimentos golpistas.
Por Ivan Logo, com os Jornalistas Livres* 
São Paulo ficou mais vermelha na tarde desta sexta-feira (13). Convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), com o apoio do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e outros movimentos sociais, a manifestação contra o levante golpista que vem se acirrando no país reuniu, de acordo com os organizadores do protesto, cerca de 100 mil pessoas (a Polícia Militar fala em 12 mil, número que é facilmente desconstruído com os registros do evento).
A ideia do ato não foi necessariamente apoiar o governo de Dilma Rousseff, e sim protestar contra os recentes ajustes fiscais promovidos pela presidenta e que têm afetado os direitos dos trabalhadores. Diferentemente daqueles que pretendem ir às ruas no próximo domingo (15), no entanto, a manifestação dos movimentos sociais teve como mote também a defesa da Petrobras e da democracia.
“Quem está achando que é um ato de guerra está muito enganado. Tem uma parcela querendo dividir o Brasil. Nós queremos unificar. Quem quer derrotar o governo, que o faça daqui a quatro anos, na próxima eleição”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas, salientando ainda que os movimentos vão “apresentar propostas de política econômica para ajudar o país a voltar a crescer”.
Adilson Araujo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), foi além: “Não podemos vacilar. Há uma onda golpista e conservadora querendo se aproveitar do momento. Além disso, essa onda conservadora está no Congresso e coloca em risco os direitos da classe trabalhadora”, afirmou. 
Em um trajeto que foi do prédio da Petrobras na avenida Paulista até a Praça da República, no cento da capital, as milhares de pessoas presentes resistiram à forte chuva e, aos gritos de “Democracia, democracia” ou palavras de ordem contra o retrocesso nas políticas sociais, mostraram que estão dispostas a cobrar o governo federal sem se render à onda conservadora que pede o impeachment de Dilma Rousseff.
Adriano Diogo, ex-deputado estadual pelo PT, enalteceu o fato das pessoas estarem se mobilizando conta o golpe que, na sua opinião, já está armado. O petista ainda fez críticas ao governo por permitir que esse tipo de movimento – o que pede volta dos militares ou impeachment – cresça de maneira tão exponencial.
“Os caras estão preparando esse golpe desde a Copa e ninguém está fazendo nada, nada, nada! Parece que está pedindo pra tomar um golpe. O PSDB financiando reunião, organização de manifestação de direita e o PT parado, nós não fazemos nada. Como deixam armar um golpe desse jeito? É loucura total. Ainda bem que hoje há essa mobilização, é hora de ragir!”, disse.
O ex-senador Eduardo Suplicy e atual secretário de Direitos Humanos de São Paulo, Eduardo Suplicy, também esteve presente e saiu em defesa da manutenção do atual governo.
“Em 2014, foi a sétima eleição livre e direta que tivemos. Felizmente, a presidenta Dilma venceu, e isso precisa ser respeitado e apoiado. Eu apoio a presidenta Dilma, apoio a democracia e não quero saber de nenhum tipo de golpismo. Estou aqui em solidariedade aos trabalhadores e ao povo de São Paulo, que mostra sua vontade em respeitar a democracia”, afirmou.
Revoltados ignorados 
Depois de prometer fazer um ato no mesmo local que a manifestação dos movimentos sociais, os membros dos “Revoltados Online”, grupo que vem puxando mobilizações em prol do impeachment, bem que tentaram chamar atenção, mas foram completamente ignorados pelos presentes.
Na última quinta-feira (12), um de seus líderes, Marcello Reis, havia informado que esperava confronto com os trabalhadores da CUT e os defensores do governo mas não foi exatamente isso o que aconteceu.
Ainda no início da manifestação, quando os movimentos estavam concentrados em frente ao prédio da Petrobras, três membros que se disseram “simpatizantes” dos Revoltados Online estavam presentes entre os trabalhadores. Facilmente identificáveis por suas bandeiras do Brasil, eles selecionavam os militantes que passavam nas proximidades para gritar jargões do tipo “Fora Dilma”, “Viva o Brasil” ou abrir cartazes com ofensas ao governo.
“Esses caras são todos comprados, todos recebem Bolsa Família”, diziam, intercalando algumas vezes com um “Domingo tamo junto!”, em um claro tom provocativo.
Bem que tentaram seguir os objetivos de Marcello Reis e incitar o confronto, mas não adiantou. Completamente ignorados, os manifestantes pró impeachment serviram, nesse dia, apenas para integrar as cerca de 50 pessoas que ficaram no local depois que a manifestação da CUT seguiu para a Praça da República.
Só a chuva, que inflamou a manifestação dos movimentos sociais, foi o suficiente para acabar com o “esquenta” dos revoltados.
Independente da repercussão do protesto convocado para o dia 15, os movimentos sociais, por sua vez, prometem ocupar as ruas inúmeras outras vezes para cobrar mudanças e defender a manutenção da democracia.

*Jornalistas Livres é uma rede de comunicadores independentes espalhada pelo Brasil que nasceu com o intuito de construir novas narrativas diante da cobertura da imprensa tradicional para com o cenário político.
Fotos: NINJA
Revista Forum

CINCO ÔNIBUS SÃO INCENDIADOS EM FORTALEZA

Mais dois ônibus sofreram ataques nesta sexta-feira, 13. Os veículos foram interceptados no bairro Vicente Pinzon. Um dos carros foi atacado na avenida Dioguinho, próximo a Praia do Futuro, mas não chegou a pegar fogo, e o outro, na rua Murilo Silveira, que foi incendiado.
De acordo com o tenente-coronel Ramos, da Polícia Militar (PM), três homens em um carro modelo Celta, de cor prata, foram responsáveis pelos ataques. O veículo incendiado era da linha Parangaba/ Mucuripe.
A Polícia informa que está realizando diligências pela região; até o momento ninguém foi preso. 
Já são cinco ataques só nesta sexta-feira, 13. O primeiro caso ocorreu no início da tarde, no Canindezinho.
Os outros dois ataques, um por volta das 16h30min, em um veículo da linha Aracapé/Parangaba e outro em Maracanaú, na linha Conjunto Timbó, seriam em represália à prisão de Francinei Nobre da Silva, 42, homem apontado como responsável pela articulação desses ataques.
O Povo online

sexta-feira, 13 de março de 2015

BANCADA EVANGÉLICA ESTÁ FORA DA PRESIDÊNCIA DA CDHM

Na reunião desta quinta-fera, 12 de março, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM) foi definido como presidente o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), com 17 votos.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM) tornou-se uma arena de acordos, trapaças e briga por poder; e não é de agora; o que empobreceu a política interessada no debate da pauta dos Direitos Humanos e Minorias no Brasil. Após a sessão aberta, pelo presidente Assis Couto (PT-PA), em silêncio, todos os deputados presentes se encaminharam para a cabine de votação. Sem nenhum debate ou discussão.

No painel de presença estavam, entre os presentes, os deputados da bancada evangélica: pastor Marco Feliciano (PSC-RJ), Jair Bolsonaro (PP-RJ), Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ), Pastor Eurico (PSB-PE). Enquanto os nomes presentes dos deputados preocupados com a pauta dos Direitos Humanos estavam Jean Wyllys (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF) e Luiza Erundina (PSB-SP).

Como agradecimento, Assis Couto agradeceu a oportunidade dada pelo Partido dos Trabalhadores para presidir a CDHM. “Deixo essa Comissão com a sensação de dever cumprido. É claro que saio com algumas preocupação. Precisamos debater nossas ideias, mas entender que nossas decisões pessoas, sobretudo religiosa, não deve se sobrepor o Estado Laico”, reflete.
O novo presidente
“Fui indicado pelo PT dentro dos acordos cumpridos e da proporcionalidade da casa”, diz Paulo Pimenta ao tomar posse da presidência da CDHM. E completa que “não podemos calar quando parcelas da sociedade brasileira tendo dado eco às concepções fundadas na intolerância, quando vimos milícias sendo organizadas, quando os assassinatos de jovens são respaldados pelo instrumento dos autos da resistência, quando o crime de estupro é confessado em canal nacional de televisão e quando um adolescente é assassinado por ser filho de casal homossexual”.
Pimenta também diz que vai presidir a CDHM às mulheres, negros, deficientes, indígenas e quilombolas, ciganos, trabalhadores rurais e sem terra, a população LGBT vitimas de intolerância, e também aqueles que são descriminados por usa religião.
Porem...
Nem tudo são flores. Se o Partido dos trabalhadores conquistou, por meio de acordo, a continuidade da presidência da CDHM, foi preciso ceder de algum lado. Para compensar Cavalcante de ser remanejado para a suplência na Comissão, o líder do PSD ofereceu a ele a relatoria do projeto do Estatuto da Família, que proíbe a adoção de crianças por casais homossexuais.
Artigo publicado originalmente pelo jornalista Nelson Neto em seu blog www.nelsonscneto.com

TRIBUNAL DE BERLIM CONDENA FAMÍLIA QUE SURROU E TENTOU CASAR JOVEM GAY

Um tribunal de Moabit, em Berlim, deu ganho de causa nesta quinta-feira (12/03) a um rapaz de 18 anos que denunciou o próprio pai e dois tios por privação de liberdade e rapto de menor. Conforme sentença anunciada pela juíza responsável pelo caso, os três homens, com idades entre 36 e 43 anos, terão que pagar, cada um, 1.350 euros ao jovem, além de arcar com os custos do processo.
O jovem, de nome Nasser, acusa os familiares, de origem libanesa, de maus-tratos, rapto e tentativa de casamento forçado. Segundo o rapaz, o motivo da agressão é o fato de ele ser homossexual.
Assim que souberam que Nasser não se interessava por mulheres, seus parentes o torturaram. Ele ganhou um "banho" de gasolina do tio e levou uma surra dos pais, que ainda jogaram água fervendo sobre ele. Por fim, arranjaram-lhe uma noiva – uma moça libanesa – e queriam obrigá-lo a se casar com ela, no Líbano. Na época, ele tinha apenas 15 anos.
Nasser, que nasceu em Berlim, contou a jornalistas que procurou ajuda com as autoridades que tratam da proteção de menores de idade. Apesar de estar sob a proteção delas, o pai e os dois tios o levaram à força, de carro, para fora da Alemanha, em 10 dezembro de 2012. Dois dias depois, autoridades da fronteira com a Romênia interromperam a continuidade da viagem, que deveria ter terminado no Líbano.
Aparentemente decepcionado com a sentença, Nasser afirmou a jornalistas presentes no tribunal estar satisfeito por, pelo menos, ter conseguido levar o caso à Justiça. "Muitos não vão tão longe", disse o rapaz. Advogados dos acusados disseram que vão recomendar aos seus clientes que aceitem o veredicto.
Segundo as autoridades de Berlim, um levantou identificou ao menos 460 casos de casamento forçado na cidade em 2013. Casamento forçado é crime na Alemanha.
Com informações:DW

quinta-feira, 12 de março de 2015

LÉSBICAS, CASADAS E PASTORAS DE UMA IGREJA EVANGÉLICA

Na porta do endereço da Avenida São João, número 1.600, bem no centro de São Paulo, a transexual Vitória tentava entender um aviso fixado em uma porta de vidro. Analfabeta, pediu ajuda para ler que “no próximo domingo não haverá distribuição de cestas básicas”.

O anúncio estava colado na porta da igreja evangélica Cidade de Refúgio, um lugar onde transexuais, como Vitória, além de gays e lésbicas são bem recebidos. Inaugurado em 2011, o templo é comandado pelo casal de pastoras Lanna Holder e Rosania Rocha, 40 e 41 anos, respectivamente.

Em junho deste ano, a Cidade de Refúgio completará quatro anos, quando deve inaugurar um novo templo, com capacidade para até 2.000 pessoas, no endereço ao lado. Isso ocorre em um momento em que pautas como o Estatuto da Família – que, entre outras coisas, define como núcleo familiar apenas a união entre homem e mulher, excluindo a união homoafetiva, aprovada em 2011 pelo Supremo Tribunal Federal - volta e meia entram em votação na Câmara dos Deputados, cada vez mais conservadora. Assim como outros projetos de lei como a cura gay – que altera resoluções do Conselho Federal de Psicologia que proíbem que profissionais participem de terapias para alterar a identidade sexual do paciente.

Era justamente a "cura gay" que Lanna Holder pregava quando conheceu Rosania, em 2002. Na época, ambas tinham marido e filhos. Rosania era casada com um pastor e cantava nos cultos de igrejas evangélicas brasileiras nos Estados Unidos. Evangélica desde os 19 anos, Lanna era missionária da Assembleia de Deus, uma das maiores entre as pentecostais, com milhares de membros. “Eu tinha alcançado um ápice ministerial por conta do meu testemunho”, conta Lanna. “Eu falava sobre a minha mudança de orientação sexual. Eu era uma ex-lésbica”. Ela passou seis anos viajando pelo Brasil e pelo mundo pregando sua cura.

Em uma das viagens aos Estados Unidos, Lanna e Rosania se conheceram. Demorou quase um ano para que elas percebessem que havia uma atração entre elas, maior do que a amizade. “Um dia, liguei para ela para dizer que eu amava ela”, conta Lanna. Um mês depois, Lanna foi para os Estados Unidos, para pregar, e ficou na casa de Rosania. “Quando ela foi me buscar no aeroporto e eu a vi, pensei: Jesus, tenha misericórdia”, conta Lanna, rindo. A situação foi difícil para elas. Quando perceberam que estavam apaixonadas, relutaram com os recursos que conheciam. “Oramos muito, chorávamos, jejuávamos”, diz Rosania. O jejum era uma forma de troca. “Pensávamos: Olha Jesus, eu vou jejuar e você tira isso de mim”.

Mas o sentimento que tinham uma pela outra não tinha mais volta. “E percebemos que estávamos perdendo a nossa legalidade diante de Deus”, diz Lanna. Procuraram os respectivos maridos e contaram a história para eles. Na sequência, procuraram pelo pastor da igreja nos EUA para pedir ajuda. E para que a história não viesse à tona. Na verdade, queriam ser curadas: “Na época, tudo o que você pode imaginar que a igreja dizia que nos curaria, nós tentamos. Desligamento de alma, cura interior, fizemos tudo”, diz Lanna. No dia seguinte à procura pelo pastor, a comunidade evangélica no Brasil e nos Estados Unidos estava sabendo da relação das duas. “Perdemos contratos para os shows da Rosania e para a minha pregação”, conta Lanna. “Eu não tinha nem como entrar na igreja. As pessoas mudavam de calçada, me hostilizavam no supermercado”, diz Rosania. Ela foi expulsa de casa e voltou a trabalhar, fazendo faxina nos Estados Unidos. E parou de cantar.

Desligadas, Lanna acabou indo morar nos Estados Unidos também. “Entreguei pizza, trabalhei na construção civil, fiz tudo para sobreviver ali”, conta. Mas sofreu um acidente e ficou em coma por três dias. E foi isso que as uniu novamente. Um pastor “muito conhecido aqui no Brasil” as orientou. “Ele dizia: Deus quer que vocês sejam felizes. O que está errado é o fato de que vocês estão casadas. E não de estarem apaixonadas”. Elas não revelam a identidade do pastor.
Rosania não podia se divorciar porque estava esperando para receber o green card. “Estava esperando há 17 anos. Se eu saísse dos EUA, não poderia voltar para ver meu filho”, conta. Ficaram dois anos sem se ver. “E eu dizia, 'senhor, agora é o momento, o senhor vai me transformar em uma hetero”, diz Rosania, aos risos.
Lanna já estava de volta ao Brasil e, como estava separada de Rosania, voltou a pregar na Assembleia de Deus. “Na mentalidade da igreja, aquilo tudo já tinha passado”, diz Lanna. Ela nunca mais pregou seu testemunho de ex-lésbica. Mas, mesmo afastadas, a relação perdurou. E elas acabaram por ficar juntas. Da reunião com amigos na casa delas para cantar e orar, surgiu a ideia de fundar uma igreja que as acolhesse e não as expulsasse como ocorrera no passado. Em 2011, quando a Cidade Refúgio surgiu, já existiam cerca de sete igrejas inclusivas no Brasil, como são chamadas as igrejas que acolhem a comunidade LGBT. Hoje, segundo Lanna, o número chega perto de 20.

O culto na Cidade de Refúgio é um espetáculo, como toda pregação pentecostal. A pastora prega, lê a Bíblia, há alguns shows, passa-se as máquinas de cartões para o pagamento dos dízimos, as pessoas oram, choram, se emocionam. A igreja se mantém com dízimo e ofertas. “Como qualquer igreja”, diz Lanna. O público é formado por homossexuais, mas há casais heterossexuais e crianças também, em menor número. “Estamos aqui para aceitar a todos, e não para excluir os heteros. Não somos uma igreja só para gay. Como as duas pastoras são casadas, temos uma tendência a atender a esse público homoafetivo”, diz Lanna. No culto de domingo, o maior da semana, chegam a passar pela ali até 500 pessoas para assistir à pregação de Lanna. No total, são três horas de cerimônia.


Quando era missionária da Assembleia de Deus, Lanna conta que certa vez teve de ser "disciplinada". "Eu levei um grupo de jovens para visitar uma cachoeira em Bezerros, lá em Pernambuco", contou ela durante o culto. "Fui de vestido longo, pois não podia usar maiô, fiz tudo certo. Só que o nome da cachoeira era Banho de Cerveja", diz. O público cai na risada. Lanna contou essa história para dizer que "nunca deu muito trabalho" na igreja. "Mas quando dei, foi de uma vez só, assim como a Rosania, né?", diz, olhando para a esposa, que está no púlpito também. Todos riem. Do começo ao fim, elas se referem como esposas. Não há o que esconder. Mas tampouco há um discurso dirigido para homossexuais ou transexuais.
Além dos cultos – são três por semana, além de outros eventos e conferências - a igreja tem uma ONG que dá atendimento psicológico para o público que frequenta o templo e atende a cerca de 100 famílias todos os meses com a distribuição de cestas básicas. “Chega gente aqui com uma carga emocional muito pesada”, conta Lanna. No ano passado, as pastoras realizaram mais de 40 casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Como evangélicas, Lanna e Rosania são categoricamente contra o sexo antes do casamento. “O sexo só é abençoado por Deus quando ele é debaixo de uma aliança”, diz Lanna. Elas se casaram em 2013.
Sobre o Estatuto da Família, a opinião de Lanna é uma crítica a deputados que têm a mesma origem que ela, a Assembleia de Deus. “Essa lei evidencia que eles (os deputados evangélicos) lidam com essa parte da sociedade (homossexuais e transexuais) como se ela não fosse digna de viver uma vida de santidade, como se todo o homossexual fosse promíscuo”, diz. “No dia que pesar no bolso deles, que eles descobrirem que 40% das pessoas que estão dentro da igreja deles são homossexuais, são gays, eles vão mudar de ideia”.
Segundo Lanna, as igrejas evangélicas já não têm um discurso tão contundente contra os homossexuais, por saberem que uma parcela importante do seu público é feita deles. “Eles já não pregam mais contra o homossexual. Fingem que não estão vendo. Mas isso só vai mudar quando mexer no bolso deles”, diz.
A história de Lanna e Rosania rendeu um livro, que será publicado no final deste ano. Hoje, moram em São Paulo com os dois filhos do primeiro casamento de cada uma delas, um de 13 anos e um de 18. Pensaram em fazer inseminação artificial para gerar mais um filho, mas o projeto, por enquanto está suspenso, por falta de tempo.
Depois de muitos anos, o casal diz viver em paz. “O meu testemunho terminava com aquele final hollywoodiano. Eu dizia: Olhem para mim, e vinha meu marido com o meu filho. E eu dizia: Hoje sou ex-lésbica, ex-drogada, estou curada”, conta. “Aquilo era uma propaganda de margarina, não era real”.
Fonte:El Pais